22 de dezembro de 2012

O mal


Há um mal dentro de todos nós.
Quem nunca o sentiu?
Quem nunca sentiu esse mal que persiste durante tempos?
Quem nunca sentiu esse mal que arranca lágrimas dos seus olhos, ainda que você lute desbragadamente contra elas?
Quem nunca sentiu esse mal que insiste em puxar-lhe de encontro com o passado, que lhe deixa encarcerado por lembranças e que cruelmente repete todos os dias:

- Você deveria ter feito assim! Você não deveria ter falado aquilo! Talvez se você abrisse mão disso...

Seria este mal o arrependimento?
Mas arrepender-se do que? De pensar um pouco em si mesmo? Arrepender-se de dar uma brecha para o amor próprio?
Não pode ser arrependimento.
Tudo foi pensado, tudo foi calculado, tudo foi sentido, tudo foi minuciosamente examinado.
Mas o mal continua ali. Ardendo.
Ele continua ali. Corroendo.
Continua ali. Cobrando.
Não quero mais dá-lhe ouvido. Não quero mais passar por tudo isso.
E sabe o que mais? O nome desse mal é saudade.

21 de dezembro de 2012

Desejos


Desejo nunca ser pego.
Desejo nunca deixar que o medo me esconda dos meus melhores segredos.
Desejo fazer o bem.
Desejo ir além.
Desejo me encontrar, desejo te encontrar.
Desejo construir a nossa família.
Desejo conhecer uma Ilha.
Desejo que tudo isso seja passageiro, ainda que para isso eu tenha que me refugiar no estrangeiro.
Desejo lutar.
Desejo sangrar.
E, acima de tudo, eu desejo amar.

Não


Eras o bem e o mal em uma só face.
Olhava-te pela manhã e via um anjo.
Olhava-te ao entardecer e o anjo já não mais existia, deixando em seu lugar um demônio.
Eras a minha melhor e pior parte.
Me amavas e me odiavas.
De vós jamais sairia um amor sadio.
 Sofrestes de insanidade e eu também, por continuar ao teu lado, lutando por várias pessoas dentro de uma só.
Tirastes a minha razão com o veneno dos teus abraços.
Tornei- me o teu brinquedinho.
Eras mais forte que eu. Eras mais inteligente que eu.
 Seduzistes-me;
 Enganastes-me;
 Cegastes-me;
Trancastes-me.
Eras um ser movido pelo egoísmo, pois tu me roubaste de mim.
Continuaria o bobo da corte a se entregar até que aprendesse a escapar de ti e de todos os seres que te compõem?
Não.


Escrito em 29 de Abril de 2011.

20 de dezembro de 2012

Wishes


Eu queria um amor feito sob medida, vindo das antigas.
Um amor onde as coisas acontecessem devagar, porém, sem demora.
Um amor onde não houvesse precipitação por interesses.
Eu queria um amor sólido como uma rocha e seguro como um abraço de mãe.
Eu queria um amor no qual fosse possível, não só enxergar, mas sentir a sinceridade.
Um amor no qual não se medisse esforços e que não ficasse só nas palavras dos recados trocados durante a madrugada.
Eu queria um amor grato onde houvesse reconhecimento dos sacrifícios que foram feitos.
Um amor que fosse além da comunicação e que como uma metástase de paixão, fosse se espalhando por cada centímetro dos nossos corpos.
Eu queria um amor sem arrependimentos, sem lágrimas, sem brigas, no qual cada centésimo de segundo fosse fotografado para ser estampado eternamente nos murais das nossas memórias.
Eu queria um amor que não fosse exageradamente expansivo ou reprimidamente contido.
EU
QUERIA
UM
AMOR
que durasse a vida inteira.

Já é o suficiente?


Eu lhe daria um pedacinho da minha medula se você dissesse que ao se levantar, eu seria o primeiro a quem você correria.
Eu lhe daria parte do meu sangue se você me prometesse que seu coração o bombearia mais forte ao me ver.
Eu lhe daria minhas córneas se eu fosse único a quem você olharia.
Eu lhe daria meus cabelos se um dia os seus caíssem por se preocupar comigo.
Eu lhe daria minha pele se com toda a minha intensidade eu queimasse a sua.
Eu lhe daria meu amor se você soubesse dele cuidar.
E agora, já é o suficiente?

Problema

O problema não está em você.
O problema está nessa sua mania de procurar você mesmo nos outros.
Isso você nunca vai achar.
E se um dia achar, ainda sim você não vai estar satisfeito.
Porque você também tem defeitos.

Reading the Soul

Nós fazemos de tudo.
Então por que não parar, pensar e começar a entender aquilo que nós temos de mais profundo?
Por que não dar mais valor a alma?
Por que não realçar mais os sentimentos?
Por que não tornar o nosso egocentrismo natural em algo proveitoso  e valorizar o mais profundo e intenso mundo sentimental que está dentro de cada um de nós?