Há um mal dentro
de todos nós.
Quem nunca o
sentiu?
Quem nunca
sentiu esse mal que persiste durante tempos?
Quem nunca
sentiu esse mal que arranca lágrimas dos seus olhos, ainda que você lute
desbragadamente contra elas?
Quem nunca
sentiu esse mal que insiste em puxar-lhe de encontro com o passado, que lhe deixa
encarcerado por lembranças e que cruelmente repete todos os dias:
- Você
deveria ter feito assim! Você não deveria ter falado aquilo! Talvez se você
abrisse mão disso...
Seria este
mal o arrependimento?
Mas
arrepender-se do que? De pensar um pouco em si mesmo? Arrepender-se de dar uma
brecha para o amor próprio?
Não pode ser
arrependimento.
Tudo foi
pensado, tudo foi calculado, tudo foi sentido, tudo foi minuciosamente
examinado.
Mas o mal
continua ali. Ardendo.
Ele continua
ali. Corroendo.
Continua ali. Cobrando.
Não quero
mais dá-lhe ouvido. Não quero mais passar por tudo isso.
E sabe o que
mais? O nome desse mal é saudade.